Qual evangelho pregamos?



Diante das palavras do Apóstolo dos gentios: “Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo” (Fp 3:8). Devemos nos perguntar: O evangelho que pregamos baseia-se na sabedoria humana ou no conhecimento de Cristo Jesus?
Paulo, ainda conhecido como Saulo, era alguém respeitado, portador de credenciais invejáveis: circuncidado ao oitavo dia, como exigia a tradição; da linhagem de Israel, da tribo de Benjamin (tribo que deu origem ao 1º Rei – Saul); hebreu de hebreus, isto é: um Israelita legítimo, filho de pai e mãe hebreus; no tocante a Lei era fariseu – a seita mais severa da religião judaica (cf. Atos 26:5); quanto ao zelo era perseguidor da igreja; quanto à justiça que há na Lei era irrepreensível (Fp 3:5-6). Paulo era a pessoa sob a qual outros se dobravam diante de seu conhecimento. Foi educado na escola de Gamaliel. Era poliglota, e seguramente falava o aramaico, o hebraico, o latim e o grego. Ele era inegavelmente exaltado e temido entre os homens. O que o faria abandonar todo seu prestígio e status social? Apenas uma coisa: o conhecimento de Cristo.
O apóstolo não somente abandonou tudo o que era e possuía como também considerou todas suas credenciais, desde seu nascimento, linhagem e educação privilegiada, como refugo para ganhar a Cristo! Refugo é algo desprezado e considerado como inútil. Sim, ele havia entendido que Cristo era tudo quanto precisava, não havia reservas em seu coração.
Nesse contexto, algumas questões práticas merecem reflexão em relação ao nosso viver cristão atual: Cristo está de fato em primeiro lugar em nossa vida? Será que nossa linhagem (sobrenome), posição eclesiástica dentro de um grupo de fé (diácono, presbítero, pastor, bispo...), formação intelectual (teólogo, engenheiro, advogado, médico...) ou qualquer outro status social ou religioso afasta de nós a simplicidade, o amor e a humildade nas relações interpessoais? Será, ainda, que essas coisas possuem algum valor que nos impede de, tal como Paulo, nos dobrarmos diante de Cristo sem qualquer tipo de reserva?
Que o evangelho que pregamos tenha por base o puro conhecimento de Cristo e que seja afastada de nós a mera eloquência, a sabedoria dos homens e as frases prontas de efeito que atingem a emoção, mas em nada contribuem para a espiritualidade. Sejamos tolerantes, amáveis e inclusivos como convém a aprendizes de Cristo.


0 comentários:

Postar um comentário